
E quem somos nós durante uma relação? E vai dizer que somos os mesmos? Dentro de quatro paredes vale tudo? Vale a vida, o momento, o instinto, a fantasia. Vale a Daniela, Joana, Andreia, Carolina e a Mariana. Vale assumir outro papel. Vale assumir a vontade reprimida, os sonhos mais secretos. Aqueles que só os seus pensamentos conhecem.
Olhar, sentir, vivenciar. Perder a sanidade. Pele na pele, olho no olho.. o suor, a respiração, o momento todo ali em alguns minutos de entrega total. O amor? O amor naquele momento em segunda instância, jogado na cama junto com a mascara que deixei cair ao me revelar. A respiração mais alta ao pé do ouvido, o arrepio dos pés à espinha. O desejo em jogo, só o desejo e nada mais.
Todos esses sentimentos misturados me enlouquecem pela culpa de não ter você. De não me entregar. Você se foi, o amor falou mais alto e o desejo, ah.. o desejo ficou pra trás junto com aquela marca que deixei nas suas costas, com as caricias, com as risadas... com a dose que deixei na mesa.
E toda vez que penso na noite inacabada, da conversa sem sentido e da vontade reprimida nos nossos olhares, o arrependimento vem a tona.
Aquela noite sem um ponto final, nosso beijo como reticencias e o nosso desejo como ponto e virgula. Ah se eu conseguisse assumir ao menos metade do papel que me passa pela cabeça, nos meus pensamentos mais longínquos, nós já não seriamos nós. Nos encontraríamos em outros nomes, outros corpos, quem sabe até em outros personagens, mas sempre com a malícia na troca de olhares, a boca seca e com os corpos queimando por inteiro. Confesso! É delicioso as provocações, as risadas disfarçadas e os pensamentos nos consumindo.
Seu cheiro... ah, seu cheiro! Se fecho meus olhos consigo enxerga-lo na minha frente, com o cabelo ainda molhado, com o corpo por secar e com o perfume mais intenso e delicioso que já senti na vida.
Dizem que isso é paixão, eu prefiro chamar por desejo. Desejo forte, que não passa tão cedo. Reprimido. Arrependimento por não aproveitar os momentos que estivemos junto.
Ah essa vontade que não cessa, que não encerra, sem fim... Nossa noite em um livro, um conto no meu diário inexistente com a última página por escrever, com um ponto e virgula por ler.
