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4 de fevereiro de 2015

De outros carnavais...


Luiza e Alexandre se conheceram através de uma amiga de Luiza, em um típico sábado de sol, quando essa amiga a convidou para uma festa na casa do Alexandre. Ao chegar no local, elas foram recebidas por ele! Luiza na mesma hora ficou paralisada, ficou sem graça, sem reação, como todas as meninas ficam - vermelhas como camarões. Sabe aqueles minutos que você viaja para algum lugar e não ouve nada ao seu redor? Então, assim mesmo! 

E as bebidas chegavam, as risadas ficavam cada vez mais altas, as besteiras já viravam frequentes. Entre um copo e outro e olhares disfarçados, Luiza tinha certeza que a única coisa que ela precisava era encontrar com Alexandre novamente. E não é que por um traço do destino ou coisa assim eles começaram a trocar mensagens? 

Dias se passaram e as conversas eram frequentes. Entre desabafos e risadas, ambos começaram a crer que ali, entre eles, rolava uma amizade muito bonita... ou algo mais. Talvez a extrema necessidade de estarem perto chegou a um ponto em que um não tomava decisões sem a opinião do outro. A troca de segredos eram frequentes, na verdade viraram rotina. Luiza amava tudo aquilo, afinal ter Alexandre por perto trazia segurança. Sabe só quando a risada e o carinho de uma pessoa bastam? Pois é, para ela bastavam! 

Entre um cinema e outro, um copo de cerveja e a folia do carnaval, apesar da bebedeira, eles tinham plena consciência do que estavam fazendo e não puderam mais aguentar. A vontade e o desejo pelo outro era enorme e foi o suficiente para Luiza concretizar o que já sabia, mas não queria admitir: Ela estava apaixonada por Alexandre. (E quem já não sabia disso? Afinal, estava estampado na cara dela!)

E eu gostaria de contar que a história de amor de Luiza - leia bem, de Luiza - acabaria entre beijos em uma cama de lençol de linho com 186415435 fios. (Porque será que a quantidade de fios das roupas de cama fazem tanta diferença assim? Afinal, eles tem a mesma utilidade e não fazem café para você ao se levantar). Mas, não. Para decepção de Luiza, não foi bem assim.. entre mensagens e conversas, ela entendeu que nada mais sério poderia rolar e que entre eles era só amizade colorida como dizem por aí. 

As baladas chegavam, eles se encontravam e era a mesma coisa de sempre: beijos, abraços, carinhos e nenhuma promessa. Até que um dia, depois de uma noite de muita bebedeira, Luiza e Alexandre entraram naquelas conversas de bar às 5h da manhã, onde ninguém fala nada com nada, mas se acham os melhores poetas da história, que Alexandre olhou para Luiza e disse que ela não precisava tentar entender o que estava claro e que o que tivesse que ser, seria. Mas, para a decepção de Luiza, não foi. 

Dias, meses, anos se passaram e o contato dos dois foi ficando cada vez mais raro. As promessas de "vamos marcar de se ver. Sinto saudades", ou "Um dia a gente se vê" ficavam sempre da boca para fora. A vida os afastou, as responsabilidades principalmente. 

Aquela amizade, amor, seja lá qual for o sentimento escondido no peito dos dois já não existia mais. A vida tratou de dar um rumo aos dois e de nada adiantava aquelas palavras da boca para fora, Luiza não queria ouvir, ela sentia que tinha perdido o "melhor" amigo. As lembranças eram convidativas, mas morriam no momento em que ela abria os olhos novamente. Palavras ditas da boca para fora doem, mas o que mais machucou Luiza era o fato de perder o seu melhor confidente. 

E quantas noites em claro Luiza passou chorando, desejando um único reencontro, um abraço. Depois de tantos pensamentos ela se deu conta que de nada adiantaria e uma hora passou, acabou... e enfim, ela percebeu que mesmo depois de anos longe, sem um telefonema se quer, ela o conhece bem para saber onde e quando encontrá-lo. Quem sabe por aí... Quem sabe em outros carnavais... 




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