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22 de abril de 2015

Não há oxigênio melhor do que o amor.


A sua ausência ainda vai me fazer falta, eu sei disso.
Sei que nada ficará no lugar após o barulho da batida da porta da sala. Nem mesmo o sorriso, nem mesmo as chaves do carro em cima da mesa da cozinha ou as correspondências que insistem em chegar com o seu nome por debaixo da minha porta. 

As ofensas e as promessas pairam no ar ocupando o lugar do oxigênio que eu preciso para respirar. Elas me invadem, me consomem e me destroem. São teimosas, não desistem nunca. Querem me ver derrubada no chão do quarto cantando a nossa música alta, com um pote de sorvete na mão e tentando encontrar alternativas para mudar aquele cenário patético. E que ingenuidade a minha em achar que aquele quadro torto no corredor seria arrumado assim que você passasse por ele para chegar até o banheiro. 

Entre a razão e a emoção, o orgulho venceu! Ele não me deixou sair correndo atrás de você para que a porta não se fechasse e para que a chave do seu carro ficasse no seu devido lugar, ao lado da minha. E agora eu só sei me perguntar o motivo. 

Não há caminhos sem volta, não há obstáculos que não podemos enfrentar, não há outra pessoa em nosso caminho...Pera! Não há o quê? Sempre há alguma coisa que não podemos consertar, e é exatamente esse o problema. 

Eu não posso consertar o amor que há dentro de mim, a saudade que não quer ir embora, ou a vontade que tenho de responder o seu alô em todas as tentativas frustradas de um contato no momento sem fim que estamos vivendo. 

A vontade de me levantar e mudar essa depressão profunda, que é viver sem você, me fez enxergar o relógio que deixou cair no chão do quarto ao sair e me fez recordar os inúmeros sorrisos dentro de uma só vida, a nossa. 

Uma vida cheia de sorrisos, desentendimentos, cheia de orgulho, mas principalmente, lotada de amor. Amor que me fez voltar a realidade ao te ver na portaria interfonando, pedindo para subir... para trocar umas palavras. 

E antes que eu pudesse me dar conta, você estava ali...parado na porta, sem jeito, sem graça, sem saber o que fazer, mas cheio de certeza do que queria para si. 

Existem momentos em que as palavras são totalmente dispensáveis e que o sentimento responde a qualquer dúvida que ainda possa existir e é nesse momento, nesse curto período de tempo, que tudo volta ao seu lugar. Em um único olhar e um beijo profundo as coisas vão tomando rumo e como se fosse um filme, todos os objetos derrubados e quebrados da casa retornam aos seus lugares quase como se fosse uma mágica. Um encanto inquebrável, irreparável. 

As palavras que nos machucaram finalmente vão embora e dão espaço para o oxigênio necessário para respirar, para sobreviver. Oxigênio que nada mais é do que um único sentimento tão poderoso e tão caloroso capaz de curar qualquer ferida: o amor.




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